Espanha, Ano Zero: Não Pode Haver Arte Depois de Guernica.

Em 1976, 50 anos atrás, a Espanha atravessa um verdadeiro ano zero, sendo o primeiro ano após a morte do ditador Francisco Franco, cujo regime, o franquismo, se estendeu por mais de três décadas, consolidado a partir de sua vitória na Guerra Civil Espanhola. O fim dessa longa noite autoritária não poderia ser pensado sem o retorno a um de seus símbolos mais traumáticos: o bombardeio de Guernica, um episódio curto, mas devastador em seus efeitos, que anteciparia, em escala experimental, as violências da Segunda Guerra Mundial.

Diante desse cenário, torna-se inevitável evocar, mesmo que de forma indireta, a reflexão de Theodor Adorno sobre a impossibilidade da arte após a catástrofe, bem como rememorar o desespero materializado no quadro Guernica, de Pablo Picasso, imagem que parece condensar, de forma quase premonitória, a atmosfera de dor e silêncio que marcaria o período franquista.

Não surpreende, portanto, que esse “ano zero” espanhol tenha paralelos com outras ruínas europeias do século XX. Em Alemanha, Ano Zero (1948), a possibilidade de reconstrução surge, ainda que de modo frágil, através das crianças. Já no conjunto aqui abordado, a infância se torna mais soturna, sem qualquer ideia de esperança, com crianças já marcadas pela violência e, às vezes, em papéis perturbadores.

Escrito por Pedro Oliveira

Filmes que serão comentados na edição:

Quem Pode Matar Uma Criança (1976) – Escrito por: Marcos Milanés

Morir… Dormir… Tal Vez Soñar (1976) – Gustavo Nogueira

Cría Cuervos (1976) – Luiz Gustavo

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